
Sessão dupla # 1: Matthew Vaughn
NEM TUDO É O QUE PARECE (Layer Cake) + KICK-ASS - QUEBRANDO TUDO (Kick-Ass)
Antes de assistir KICK-ASS resolvi conferir o primeiro trabalho do britânico Matthew Vaughn. Na época em que o filme foi lançado rolaram comparações com Guy Ritchie e por conta disso acabei mantendo distância. Mas não tem absolutamente nada a ver. Vaughn filma como um adulto e seus personagens não estão numa competição para ver quem é mais “cool” ou bizarro. Daniel Craig, em fase pré-007, está ótimo no papel de um traficante ultra-profissional e que evita a todo custo se envolver em confusões. Até que certo dia um chefão, muito mais poderoso do que ele na hierarquia do crime, lhe pede um pequeno favor… A partir daí, “nem tudo é o que parece”, como bem informa o título nacional…
Chegamos então a KICK-ASS (pulei STARDUST, outro dia eu vejo). Nunca li a HQ original, mas que KICK-ASS honra o espírito das comic books não restam dúvidas. E Vaughn é o cara certo para comandar um filme desse naipe. As passagens sempre criativas que ele faz de uma cena à outra (já vista em LAYER CAKE) se encaixa como uma luva na narrativa, que é dinâmica sem nunca apelar para clipagens. O clímax no prédio do vilão lembra muito o primeiro MATRIX, mas, sinceramente Vaughn é muito melhor que os Wachowski Bros. A cena em que a Hit Girl entra no QG dos bandidos ao som de Ennio Morricone é uma beleza. Achei os dois filmes sensacionais.
Interessante citar alguns pontos em comum entre LAYER CAKE e KICK-ASS. Em ambos o protagonista procura se esquivar da violência e só parte pra ela quando não há outra opção viável. E há uma cena muito parecida nas duas obras, embora lidando com contextos diferentes. A crise de consciência de Daniel Craig ao matar pela primeira vez, e a deprê de Aaron Johnson ao perceber que heróis de verdade eram a Hit Girl e seu pai, são filmadas de modo muito semelhante, e dão um senso de humanidade muito grande aos personagens. Matthew Vaughn está de parabéns.

Sessão dupla # 2: Viagens no tempo
TIMECOP - O GUARDIÃO DO TEMPO (Timecop), de Peter Hyams + PRIMER, de Shane Carruth
Fiz uma revisão de TIMECOP e pra mim o filme permanece como um dos melhores na filmografia do Van Damme. Pena que a história explora com pouca imaginação as viagens no tempo. Se logo depois o Van Damme não tivesse trocado uma carreira de sucesso na Universal por uma carreira de pó, acredito que teríamos um TIMECOP 2 com cenas muito mais espetaculares. Na verdade até existe uma continuação, mas trata-se de uma produção direct-to-video com o Jason Scott Lee. Agora um detalhe que me chamou a atenção são as fracas cenas de lutas. O filho de Peter Hyams, John, demonstrou ter mais talento para a coisa em seu SOLDADO UNIVERSAL 3: REGENERAÇÃO.
Já a produção independente PRIMER tem como único mérito investir num assunto ambicioso mesmo com recursos limitados e sem efeitos especiais. O problema é que não acontece nada de muito interessante e os diálogos, repletos de frases pseudo-científicas, são uma chatice. Os protagonistas só conseguem voltar um dia no passado, e tal idéia foi muito melhor trabalhada na comédia FEITIÇO DO TEMPO, de Harold Ramis. Enfim, não gostei. TIMECOP, mesmo com suas deficiências, é muito melhor e mais divertido.