Archive for August, 2009

Estranha Compulsão

Sunday, August 30th, 2009

ESTRANHA COMPULSÃO (Compulsion), de Richard Fleischer
Interessante drama criminal que é um verdadeiro libelo contra a pena de morte. Dividido em duas partes, a primeira em forma de thriller narra a tentativa frustrada de um crime perfeito, através de dois jovens ricos, universitários e intelectuais, que, a exemplo de Hitler e outros loucos, levavam a sério demais a idéia de Super Homem desenvolvida por Nitzsche e decidem matar um garoto como parte de uma experiência macabra. A segunda parte é uma longa sequência de tribunal, quanto entra em cena Orson Welles (com ar de cansaço e eterna ressaca) como o advogado que tenta converter a pena dos assassinos em perpétua ao invés de execução. O filme acabou criando um sentimento ambíguo em mim. Se ideologicamente sempre fui contra a pena de morte, durante a projeção me vi torcendo para que os dois jovens fossem condenados a morte. Só o cinema mesmo para me fazer entrar em tamanha contradição.

Rapidinhas:

- Na Contracampo desse mês saiu uma crítica muito boa sobre o TERMINATOR SALVATION, escrita pelo Sérgio Alpendre. No texto há uma frase em especial que me chamou atenção: “O filme de Mostow, intitulado O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas, pode muito bem ser considerado o melhor de toda a série”. Eu não chegaria tão longe, mas fico feliz de saber que não sou o único que considera o filme do Mostow excelente.

- No texto sobre OSS 117: RIO NE RÉPOND PLUS cometi a insanidade de dizer que o diretor não era o mesmo do OSS 117: LE CAIRE NID D’ESPIONS. Sei lá de onde tirei isso. Ainda bem que o Leandro Caraça deixou um comentário me alertando. Como penitência por tal erro, assisti o filme HANCOCK, do Peter Berg. E fiquei assustado ao comprovar que estou louco mesmo, pois terminei curtindo essa merda…

A Salvação

Monday, August 24th, 2009

O EXTERMINADOR DO FUTURO: A SALVAÇÃO (Terminator Salvation), de McG
Ao meu ver, AS PANTERAS representa o que há pior do cinema atual. Gelei quando McG foi anunciado como o diretor do quarto Terminator. Ainda bem que o sujeito teve juízo e realizou um filme digno. Mesmo que coma poeira em comparação aos anteriores, T4 respeita a mitologia da série e acrescenta novas informações a saga. E é gozado que, mesmo sendo o único dos quatro que se passa no futuro, funciona como um prequel. Já estou curioso para saber o que vão inventar para o quinto filme. Ah, não podia deixar de citar a ponta do Schwarzenegger. Com o nível que os efeitos especiais estão atingindo, daqui a pouco vamos ver filmes inteiros com atores aposentados e/ou falecidos. Agora se isso vai ser bom pra indústria ou não, eu não sei, o que vocês acham?

OSS 117: Rio ne répond plus

Sunday, August 23rd, 2009

OSS 117: RIO NE RÉPOND PLUS, de Michel Hazanavicius
Muito bom ver o agente secreto mais grosseiro e sem noção do planeta de volta, e o que é melhor, em missão no Brasil! Mantendo o mesmo ritmo e qualidade do anterior, o trabalho de reconstituição de época é novamente um destaque a parte, com o clima de anos 60 beirando a perfeição. Há uma série de incongruências culturais e geográficas, mas tudo isso faz parte da piada e deixa a obra anda mais engraçada, como por exemplo: você sabia que existem crocodilos no Brasil? Ou então que Foz do Iguaçu fica entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais? Dessa vez o agente OSS 117 precisa resgatar um microfilme das mãos de um oficial nazista refugiado no Rio. Contando com a ajuda de uma bela espiã do Mossad (que precisa aguentar suas investidas machistas e seus inoportunos comentários antisemitas), OSS 117 enfrenta chineses, nazistas, lutadores mexicanos de wrestler e até uma orgia hippie regada a LSD! Mais pitoresco e divertido impossível. Espero que esse retorno do personagem esteja fazendo sucesso e que se torne uma série duradoura, para que possamos, de tempos em tempos, acompanhar suas novas peripécias ao redor do globo.

Adventureland

Sunday, August 9th, 2009

ADVENTURELAND, de Greg Mottola
Sou um meio-fã dessa nova geração do humor americano capitaneada por Judd Apatow. Meio porque nem tudo deles me agrada. SEGURANDO AS PONTAS eu acho bem fraco (sei que sou minoria), assim como RESSACA DE AMOR, O VIRGEM DE 40 ANOS, etc. Mas tem dois filmes que considero ótimos: LIGEIRAMENTE GRÁVIDOS e SUPERBAD. Esse último é do mesmo diretor do filme em questão. Em comparação às outras obras citadas, dessa vez o humor fica em segundo plano. O foco principal é um romance agridoce entre um jovem virgem (mas sem piadas em torno disso) e uma garota problemática que tem um caso com um sujeito casado. Pode parecer algo trivial, mas Mottola conduz a trama com grande delicadeza e sobriedade. O resultado é deveras agradável. E mesmo com o inevitável happy end, há uma clima triste que permeia todo o filme que conseguiu me atingir em cheio.

Últimos filmes assistidos

Monday, August 3rd, 2009

O COMBOIO DO MEDO (Sorcerer), de William Friedkin
Finalmente vi o remake de SALÁRIO DO MEDO, de Henri-Georges Clouzot, e concordo com quem o considera uma das grandes refilmagens da história. A introdução apresentando os personagens (só gente boa: um assassino profissional, um assaltante, um terrorista, etc.) e a sequência da ponte (que mal dava para atravessar a pé, imagine então de caminhão) já valem o filme inteiro. Porém, discordo de quem diz que a versão do Friedkin é superior a do Clouzot. Se equipara em vários aspectos, mas não possui a mesma beleza trágica e poética do original francês. Ainda assim, uma obra magnífica.

O DESTEMIDO SR. DA GUERRA (Heartbreak Ridge), de Clint Eastwood
Vi esse filme pela primeira vez quando era adolescente, no Domingo Maior da Globo, senão me falha a memória… Já estava mais do que na hora de rever. Dei boas risadas com os diálogos do tio Clint e com as situações estapafúrdias criadas pelo Mario Van Peebles (The Ayatollah of Rock’n’rolla!). É uma boa e divertida mistura de OS DOZE CONDENADOS com NASCIDO PARA MATAR. E o personagem do Clint é praticamente um pré-Walt Kowalski (GRAN TORINO). Merece uma revisão.

EFEITO DOMINÓ (The Bank Job), de Roger Donaldson
Competente thriller inglês de assalto a banco. A trama é complexa, com várias situações e personagens, mas o diretor dá conta do recado sem confundir o espectador, mesmo investindo numa narrativa ágil. A primeira parte do filme, com o planejamento e execução do roubo, é mais leve e agradável. Mas a segunda parte é tensão pura, com o grupo de assaltantes lutando para sobreviver ao ser perseguido por policiais, bandidos e outros tipos. Muito bom!

EDDIE MURPHY SEM CENSURA (Raw), de Robert Townsend
Assistindo esse show de stand-up comedy fiquei pensando sobre os anos 80, quando Eddie Murphy trabalhava com diretores como John Landis e Walter Hill, e fazia apresentações repletas de piadas politicamente incorretas, palavrões e machismo. Nessa época acho que ninguém imaginava que uma década depois o sujeito decairia tanto, fazendo filmes infantis para a Disney… Uma pena! Sobre o show em si, não é para todos os gostos (imaginem uma mistura de Richard Pryor com Chris Rock). Eu particularmente achei ótimo.