Archive for November, 2009

Mann vs. Milius

Sunday, November 29th, 2009

Desde que comecei a acompanhar a carreira do Michael Mann nos anos 90, essa foi a primeira vez em que senti desapontamento. Não que tenha achado INIMIGOS PÚBLICOS (Public Enemies) ruím, pelo contrário, é um grande filme. Mas não me arrebatou como as obras anteriores do Mann. Achei o resultado final frio, romantizado demais, eloquente em momentos que podiam ser mais simples… Assistindo-o, me deu uma vontade imensa de rever o DILLINGER: INIMIGO PÚBLICO Nº 1 (Dillinger), de John Milius, que na minha memória era mais direto e objetivo que o INIMIGOS PÚBLICOS. Revisão feita, pensamento confirmado. O filme de 73 é mais empolgante, amoral (a começar pela relação de Dillinger com a namorada, a base de tapão na cara), tem um Ben Johnson inspirado que engole o Christian Bale no café da manhã, e por fim é muito mais divertido! A única sequência, na obra do Mann, que ficará na minha cabeça por muito tempo, é aquela em que o protagonista adentra no bureau que investiga os seus crimes. Genial! Embora irreal, como quase tudo no filme.

Guerra Sem Cortes

Monday, November 23rd, 2009

GUERRA SEM CORTES (Redacted), de Brian De Palma
Apesar da profusão de linguagens cinematográficas, alternando filmagens realizadas pelos próprios atores, jornais televisivos, câmeras de vigilância, vídeos do YouTube e até um filme-documentário francês, há uma grande coesão nessa colcha de retalhos. Todas essas imagens, oriundas de fontes diversas (obviamente fakes, pois é De Palma que comanda 100% do que aparece na tela) formam um só corpo, narrando a história de um pequeno grupo de soldados americanos no Iraque. Não há uma única imagem que não sirva à trama, mesmo que algumas delas só façam sentido posteriormente (como na cena de uma criança colocando uma bomba num local que, mais tarde, mandaria um soldado pelos ares). A questão dos abusos atrozes cometidos em guerra já havia sido trabalhada por De Palma na obra-prima PECADOS DE GUERRA. Troca-se o Vietnam pelo Iraque e investe-se numa narrativa completamente diferente, mas o resultado é o mesmo: um filme poderoso, brutal e profundamente triste.

Novidades em DVD!

Tuesday, November 17th, 2009

Últimos filmes assistidos

Thursday, November 12th, 2009

DOR E ÓDIO (Confession of Pain), de Wai Keung Lau & Siu Fai Mak
Quem me acompanha sabe que gosto muito de CONFLITOS INTERNOS, mas esse filme, realizado pela mesma dupla, fica muito aquém do esperado. Embora seja visualmente caprichado, e com um elenco de ponta, a trama deixa muito a desejar. Claro que o cinema nos mostra inúmeros roteiros fracos que geraram belos filmes nas mãos de bons diretores, inclusive entre forma e conteúdo eu chego ao radicalismo de preferir a forma. Mas aqui nada convence. Tirando o incrível início, em que não sabemos quem é quem, o estranho plano de vingança e a investigação paralela que compõe o mote central são pobres demais. A frase “muito barulho por nada” se encaixa como uma luva para definir a essência de DOR E ÓDIO.

SUBMUNDO (Edmond), de Stuart Gordon
Antes que me chamem de ranzinza, por estar malhando a maioria dos filmes comentados aqui, devo dizer que adorei SUBMUNDO. Só não achei melhor que EM ROTA DE COLISÃO (Stuck), conforme vários colegas consideraram. O ponto de partida lembra vagamente UM DIA DE FÚRIA, de Joel Schumacher, por mostrar um cidadão comum que “do nada” enlouquece. Mas estamos falando de um filme do Stuart Gordon com roteiro do David Mamet, portanto as semelhanças param por aí. A saga do personagem interpretado por William H. Macy poderia ser definida como “a tragédia de um homem ridículo” (que, aliás, é o título de um filme do Bertolucci que eu nunca vi), se envolvendo em mil enrascadas, mas também perseguido por um azar inefável. SUBMUNDO é um conto de humor negro ácido e irônico.

Horror em dose dupla

Monday, November 9th, 2009

ZOMBIELAND, de Ruben Fleischer
Não sei nem o que dizer desse filme. É um dos maiores contrastes entre bom e ruím que eu vi esse ano. Se por um lado pode ser chamado de divertido e simpático, por outro é igualmente bobo e vazio. Ele não aborrece e tem uma narrativa agradável, mas no final da projeção o que predominou em mim foi uma sensação de total insipidez.
- Cena mais legal: O primeiro encontro do protagonista com uma pessoa infectada, no caso sua vizinha loira gostosa.
- Cena mais ultrajante: A participação especial de Bill Murray.

PARANORMAL ACTIVITY, de Oren Peli
A idéia é a mesma de CANNIBAL HOLOCAUST e A BRUXA DE BLAIR, vender o filme como se fosse um vídeo real encontrado entre os pertences das vítimas. Até aí tudo bem, não tenho nada contra a fórmula. O problema de PARANORMAL ACTIVITY foi querer misturar fenômenos de poltergeist com possessão demoníaca. Nesse samba do capeta doido, em que o diretor parece não ter muito conhecimento, vão se criando cenas que não dialogam bem entre si. Muita coisa parece mais brincadeira de adolescente do que obra do tinhoso. O final apressado e mal resolvido também não ajuda muito. Tem um monte de gente gelando a espinha com o filme, mas comigo não funcionou. Frustrante.

O Expresso Blindado da SS Nazista

Monday, November 2nd, 2009

O EXPRESSO BLINDADO DA SS NAZISTA (aka Assalto ao Trem Blindado) (Quel Maledetto Treno Blindato / Inglorious Bastards), de Enzo G. Castellari

Não, não foi por causa do filme do Tarantino que decidi assistir O EXPRESSO BLINDADO DA SS NAZISTA. É que simplesmente era uma vergonha um fã confesso do Castellari como eu ainda não ter visto uma de suas obras mais famosas. E novamente o ilustre membro do clã Girolami superou minhas expectativas!

Embora seja classificado como um filme de guerra, é a ação e a aventura o que mais interessa a Castellari. Tais elementos são trabalhados com maestria, mantendo sempre um ritmo intenso, pontuados por doses equilibradas de tensão e humor (como na conhecida cena das alemãs peladas no rio).

O elenco também é ótimo, personagens ídens, com cada “bastardo inglório” possuindo características próprias bem desenvolvidas. A produção é caprichada, não faltando tanques de guerra, aviões, toneladas de extras, cenários de destruição, etc. Mesmo quando falta grana, contorna-se com a criatividade, como na cena de explosão do trem que nada mais é do que uma maquete (ver foto abaixo).

Já tinha ouvido falar que o roteira era confuso, mas na verdade ele é bem enxuto e funcional. Impressionante como a má vontade de alguns para com o trabalho de Castellari faz surgir comentários tão irreais. O EXPRESSO BLINDADO DA SS NAZISTA é diversão de primeira, quem não viu ainda não sabe o que está perdendo!