
A MONTANHA DOS SETE ABUTRES (Ace in the Hole / The Big Carnival), de Billy Wilder
Notícia boa nem é notícia, explica o personagem de Kirk Douglas. No papel de um jornalista inescrupuloso, ele vê numa desgraça a chance de voltar ao topo de sua profissão. A MONTANHA DOS SETE ABUTRES é um retrato implacável de como notícias podem ser manipuladas / fabricadas e também dos diversos interesses que pode haver por trás delas. O desempenho de Kirk Douglas é impecável, e o modo como Billy Wilder disseca e expõe a ambição americana (ou melhor: do ser humano em geral) atinge um dos seus mais brilhantes e trágicos momentos. Obra-prima!
UM HOMEM SÉRIO (A Serious Man), de Joel & Ethan Coen
Os Coen são fodas! No bom e no mau sentido. No bom porque o talento deles é inegável, mesmo que seja copiando os outros (a seqüência onírica em que o protagonista se despede do irmão à beira do lago é puro Joe Dante em PEQUENOS GUERREIROS). No mau porque há uma grande predileção por finais broxantes. Quase todos os filmes deles me deixam encima do muro, nunca consegui ser fã dos caras. Mesmo assim UM HOMEM SÉRIO segue no topo dos melhores de 2010. E dificilmente existirá obra mais cáustica sobre o judaísmo do que essa.
DANÇANDO COM O DIABO (Dancing with the Devil), de Jon Blair
Talvez a grande diferença entre esse documentário e outros semelhantes como NOTÍCIAS DE UMA GUERRA PARTICULAR e FALCÃO - MENINOS DO TRÁFICO seja o fato do realizador ser estrangeiro. Tentando entender a guerra que ocorre no RJ, Jon Blair acompanha em pé de igualdade o dia a dia de três figuras, um policial do CORE, um chefão do tráfico e um pastor evangélico com livre acesso as áreas mais temidas de diversas favelas. O curioso é que, se fosse uma obra de ficção, o trio central seria acusado de caricato ou estereotipado. Não sei se por conta da presença da câmera, ainda mais comandada por um “gringo”, os três parecem pouco naturais e com discursos manjados. Apesar disso, DANÇANDO COM O DIABO é bem interessante. Conhecer um pouco mais desse país complexo e bizarro chamado Brasil é sempre válido.

CÓDIGO DO SILÊNCIO (Code of Silence), de Andrew Davis
Se fizerem um top 5 do Chuck Norris certamente CÓDIGO DO SILÊNCIO estará lá. Thriller policial competente e bem amarrado, envolve uma guerra entre traficantes colombianos e a máfia italiana, e uma sub-trama sólida sobre um policial que mata um garoto por engano e tenta acobertar o crime. Há uma idéia e uma cena inteira que foram copiadas em ROBOCOP 1 e 3 respectivamente, que são o robô policial e a seqüência em que dois meliantes tentam roubar um bar freqüentado por tiras. De quebra ainda temos Henry Silva como o vilão principal! Uma curiosidade pouca lembrada é que o diretor Andrew Davis é mais uma cria do grande Roger Corman.
DUPLO IMPACTO (Double Impact), de Sheldon Lettich
Assisti a esse filme na tela grande quanto tinha 12 anos. Dezoito anos depois decidi revê-lo, e foi interessante notar o quanto ele se aproxima estilisticamente do cinema de Hong Kong. A idéia dos gêmeos não é nova, mas em se tratando de ação acredito que seja (e ainda rendeu um ótimo rip-off com o Jackie Chan, DRAGÕES EM DOSE DUPLA). DUPLO IMPACTO é bem movimentado e divertido, com boas cenas de luta coreografadas pelo próprio Van Damme (que também escreveu o roteiro ao lado do diretor). Suas caracterizações como o bad boy criado nas ruas e o engomadinho criado a “leite de pêra” são muito boas. A seqüência em que um irmão imagina que o outro está comendo sua namorada é hilária. Outro destaque é a presença de Bolo Yeung, um sujeito que merece constar em qualquer lista de grandes vilões da história do cinema. Acredito que DUPLO IMPACTO seja disparado o melhor filme da carreira mediana de Sheldon Lettich.
CONDUZIDO PARA MATAR (Driven to Kill), de Jeff King
Não vou me estender pois o Ronald Perrone já escreveu um ótimo texto no Dementia 13. Concordo que, em se tratando de um produto direct-to-video, está acima da média, principalmente se comparado a tonelada de porcarias que o próprio Seagal tem protagonizado nos últimos anos. Mas ainda há muito que melhorar. É uma pena que tais produções evitem tanto ser inventivas, diferentes ou originais. Os dois filmes supra-citados, CÓDIGO DO SILÊNCIO e DUPLO IMPACTO, respiram muito mais cinema do que CONDUZIDO PARA MATAR.

BITCH SLAP, de Rick Jacobson
Russ Meyer meets Sin City. Como não curtir uma obra estrelada por três vestais distribuindo socos, chutes e tiros a torto e a direito? Boa parte do filme se passa num mesmo cenário, filmado em locação real. O restante, composto somente por flash-backs que explicam um pouco sobre o passado das três beldades, é em fundo verde, ganhando cenários exagerados e extravagantes. Tal alternância entre o real e o falso acaba dando a BITCH SLAP uma narrativa mais livre que a do SIN CITY. O resultado final, como já pode se imaginar, é pura história em quadrinhos. Nada de outro mundo, mas tá valendo!