Archive for March, 2010

Crimes e Pecados

Sunday, March 28th, 2010

CRIMES E PECADOS (Crimes and Misdemeanors), de Woody Allen
Nos comentários de um post recente, vários colegas citaram CRIMES E PECADOS como um dos melhores trabalhos do Woody Allen. Tratei de correr atrás e assistir o mais rápido possível. E realmente o filme é tudo de bom! Mas, ao contrário de quem acha o Allen antigo muito melhor que o novo, eu não consigo ver essa diferença toda. Acho que PONTO FINAL (Match Point) é um filme-primo de CRIMES E PECADOS e talvez até melhor. Claro que reconheço a profundidade das questões religiosas e morais discutidas aqui, mas a sensação de culpa e ambigüidade transmitida em PONTO FINAL é tão rica quanto, além de cinematicamente ser uma obra mais coesa. CRIMES E PECADOS narra duas tramas paralelas, mas aquela que envolve o assassinato é que rouba a cena. A outra, com as presepadas de Woody Allen, serve como contra-ponto ao inserir senso de humor e discutir filosoficamente as mais diversas atitudes humanas. Uma das cenas que mais gostei é aquela em que Allen separa apenas os piores momentos de seu algoz, comparando-o com Mussolini. Genial!

Top 10 - Fevereiro e Março

Sunday, March 28th, 2010

Os dez melhores filmes que assisti durantes os meses de fevereiro e março, sem ordem de preferência:

- A MONTANHA DOS SETE ABUTRES, de Billy Wilder
- MOTHER - A BUSCA PELA VERDADE, de Bong Joon-Ho
- UM HOMEM SÉRIO, de Joel & Ethan Coen
- MERANTAU, de Gareth Evans
- BLACK DYNAMITE, de Scott Sanders
- O ÚLTIMO GOLPE, de Michael Cimino
- FACING ALI, de Pete McCormack
- O SEQUESTRO DO METRÔ, de Joseph Sargent
- CRIMES E PECADOS, de Woody Allen
- TUDO PODE DAR CERTO, de Woody Allen

Mais filmes vistos…

Tuesday, March 23rd, 2010

LA DOPPIA ORA, de Giuseppe Capotondi, é um thriller italiano de 2009. A premissa é bem instigante: mulher tem o namorado assassinado num assalto e o mesmo volta a aparecer pra ela… Assim como em ILHA DO MEDO o mistério dura pouco e nem é o foco principal. Igualmente sem graça, ainda tem a desvantagem do diretor não possuir nem 10% da técnica formidável de Martin Scorsese. Portanto fujam!

DEFENDOR, de Peter Stebbings, eu peguei pensando que fosse uma comédia, mas na realidade é um draminha banal sobre um sujeito meio lento das idéias que durante a noite se transforma no super-herói mais ridículo do planeta. É um filme bem intencionado, porém pouco cativante. O melhor de tudo é a performance de Woody Harrelson, cada vez mais se especializando em interpretar tipos diferentes.

TUDO PODE DAR CERTO (Whatever Works), de Woody Allen, é excelente! Alguém aqui assiste a sitcom THE BIG BANG THEORY? Lá tem um personagem fantástico chamado Sheldon. O protagonista de TUDO PODE DAR CERTO é uma espécie de versão idosa do Sheldon. Ou seja, um homem de QI altíssimo e puramente egocêntrico, ateu, hipocondríaco, arrogante e grosseiro. Até que ele conhece uma ninfa linda e sapeca e sua vida vira de pernas pro ar. Woody Allen em plena forma é sempre obrigatório!

Ilha do Medo

Tuesday, March 23rd, 2010

ILHA DO MEDO (Shutter Island), de Martin Scorsese
Há quem queira separar os cinéfilos entre detratores de OS INFILTRADOS e amantes de ILHA DO MEDO, como se fosse impossível ter uma visão homogênea de ambos. Pra mim tanto um como o outro mostram que Scorsese tem perdido a genialidade de uns tempos pra cá. Se na forma ele continua impecável (a primeira hora do filme é fodástica), no conteúdo parece um daqueles velhos atletas que não conseguem mais repetir os feitos heróicos do passado, tal como um Jake La Motta em TOURO INDOMÁVEL. É a vida imitando a arte.

Últimos filmes assistidos

Sunday, March 14th, 2010

LUCKY LUKE, de James Huth
Ainda não foi dessa vez. Após as atrocidades cometidas por Terence Hill, estava na esperança de que James Huth realizasse um trabalho decente com o querido personagem das HQ’s, mas infelizmente é duro saber qual deles é o pior. O competente Jean Dujardin (protagonista da nova série do Agente OSS 117) até que ficou legal como Lucky Luke, e a produção é bem caprichada, com visual arrojado e algumas belas locações reais na Argentina. Porém todo o resto é uma merda. O filme é tão ruim que assisti-lo até o fim se tornou uma missão penosa para mim. Lastimável.

OS DONOS DA RUA (Boyz’n The Hood), de John Singleton + VIZINHANÇA DO BARULHO (Don’t Be a Menace to South Central While Drinking Your Juice in the Hood), de Paris Barclay
Já tinha assistido a paródia com os irmãos Wayans mais de uma vez, mas nem sabia que o principal alvo deles era o semi-clássico OS DONOS DA RUA. Obra mais cultuada do John Singleton, que chegou a ser indicado ao Oscar de melhor direção por esse seu primeiro trabalho, o filme tem diversas qualidades, mas, ao mesmo tempo, está longe de ser a belezura que lhe apregoam. A mão pesada para o drama e a trilha chatíssima (não me refiro aos raps, e sim a música original de Stanley Clarke) deixam OS DONOS DA RUA meio gorduroso demais pro meu gosto. Curioso notar também que na época Cuba Gooding Jr. ainda era bem cru como ator. Já a gozação dos Wayans simplesmente destrói não apenas a obra de Singleton como todos os estereótipos e clichês da cultura afro-americana. Vale a pena fazer uma sessão dupla com os dois, substituindo as lágrimas do primeiro pelas risadas do segundo.

Medo da Verdade

Monday, March 8th, 2010

MEDO DA VERDADE (Gone Baby Gone), de Ben Affleck
Sempre achei o Ben Affleck um tremendo canastrão, mas sua estréia na direção não é de todo mal. Ele desenvolve bem a dramaturgia e tem um ritmo bacana, só derrapando nas cenas que envolvam algum tipo de ação (mas que são poucas, portanto não chegam a incomodar). O grande ponto fraco fica por conta da mola propulsora de toda a trama. Por trás do mistério da garota desaparecida, existe um motivo completamente absurdo e irreal. Mas o questionamento que o filme levanta é bem interessante: o que é melhor, ser feliz vivendo uma mentira, ou ser infeliz encarando a verdade?

Action!!!

Wednesday, March 3rd, 2010

Três dicas: 

Donnie Yen vs Cung Le em BODYGUARDS AND ASSASSINS:
http://www.youtube.com/watch?v=ylJ3MQWkWQM

E o retorno de Wesley Snipes em dois filmes:

GAME OF DEATH:
http://www.youtube.com/watch?v=wokspqbEdnI

&

GALLOWWALKER, um faroeste com zumbis!!!
http://www.youtube.com/watch?v=RaBdUGCuTi0

Harry Brown

Tuesday, March 2nd, 2010

HARRY BROWN, de Daniel Barber
Não lembro ao certo qual foi meu primeiro contato com Michael Caine, mas acredito que foi na ótima comédia de Frank Oz OS SAFADOS. Lembro de ter ficado surpreso ao descobrir que ele era um ator cultuado com vários filmes casca-grossas no curriculum. HARRY BROWN vem para resgatar essa aura, dando a chance de Caine estrelar uma versão geriátrica de DESEJO DE MATAR. Sua atuação é comovente, e o filme possui vários bons momentos. A parte ruim fica por conta do roteiro, que lá pelas tantas troca as mãos pelos pés com um double-cross pra lá de dispensável. Mesmo assim vale a pena conferir. Não deixa de ser uma obra digna e decente.

Iko Uwais + Jackie Chan

Monday, March 1st, 2010

MERANTAU, de Gareth Evans
Depois de Tony Jaa, é a vez de Iko Uwais tomar de assalto o cinema de artes marciais com esse maravilhoso exemplar indonesiano chamado MERANTAU. Talvez alguns acusem de ser mera cópia de ONG-BAK, mas não é. A idéia pode ser igual, a do sujeito simples, que vive no interior, e ao chegar na cidade grande se envolve em confusões épicas (mote de inúmeros outros filmes, como por exemplo o clássico O VÔO DO DRAGÃO, de Bruce Lee). Mas MERANTAU tem vida e energia própria. E as cenas de luta são de tirar o fôlego! Baseadas no Silat Indonésio, arte marcial complexa e bem diferente de todas as outras, o futuro astro Iko Uwais destrói a bandidagem em seqüências sensacionais filmadas do jeito que tem que ser: captando corpos inteiros e com poucos cortes. Isto que é cinema de ação pra mim!

MISSÃO QUASE IMPOSSÍVEL (The Spy Next Door), de Brian Levant
Tá desgostoso acompanhar a carreira do Jackie Chan, mas vamos lá… Esse é um daqueles filmes que sabemos que é uma bomba antes mesmo de ver. Ainda não entendi se Chan simplesmente abandonou seus ideais artísticos em troca de um punhado de dólares, ou se o seu desejo de ser aceito na América como astro do primeiro time lhe impede de dizer não a qualquer merda que os grandes estúdios lhe ofereçam. Além do amontoado de clichês, MISSÃO QUASE IMPOSSÍVEL é tolo e infantil demais. Até tentaram transformar Jackie em super-herói lhe colocando um óculos que ele tira nos momentos de ação, estilo Clark Kent. Mas parece que ninguém percebeu que seria muito mais heróico se apenas dessem bons filmes pra ele estrelar. Afinal o velho Jackie merece, e o público também.