Apocalypse Now

July 20th, 2008

Chegou mais um relato sobre o filme predileto, desta vez do amigo Raphael Araújo:

Meu filme predileto é APOCALYPSE NOW, talvez por se tratar de uma bela releitura do original “Coração da Trevas” de Joseph Conrad. O filme é uma viagem, visceral e introspectivo, com personagens singulares; existe uma certa atmosfera de agonia ou desespero no ar, a ferida americana, uma derrota que não passa em branco é bem retratada aqui, um povo esquecido exaltado por um maluco. Doidera, e há quem diga que Martin Sheen e Marlon Brando estavam dopados em certas cenas. Não dá para esquecer o Harrison Ford e claro, o melhor, Robert Duvall e o cheiro de Napalm pela manhã…

Gilmara Jung - Parte 1

July 20th, 2008

Modelo gaúcha.

Gilmara Jung - Parte 2

July 20th, 2008

O Último Pôr-do-Sol

July 14th, 2008

O ÚLTIMO PÔR-DO-SOL (The Last Sunset), de Robert Aldrich
Achei esse western surpreendente! Não por ser muito bom, porque isso é o que se espera de uma obra dirigida pelo mestre Robert Aldrich, mas por ser permeado por um clima de tragédia grega que eu não esperava, típico de um western all’italiana. Kirk Douglas vive o sujeito errante, de um passado não muito heróico, enquanto Rock Hudson (aqui parecendo uma mistura de Gary Cooper com Gregory Peck) é um sujeito correto e obstinado que tem contas a acertar com Douglas. Para piorar a rivalidade entre os dois, Dorothy Malone surge como uma disputa amorosa e ainda tem sua filha ninfeta (Carol Lynley) para apimentar e injetar um tom incestuoso / semi-pedófilo na história. Assim como nos melhores filmes do John Ford, o passado traz um grande peso para cada personagem, e também é um cinema do olhar, em que expressões e gestos valem mais do que mil palavras. O DVD brasileiro está com ótima qualidade de imagem e vale muito a pena ser adquirido.

Jewel - Parte 1

July 14th, 2008

Não sei nada sobre essa garota. Apenas que ele é linda de morrer e que provavalmente é  oriunda do Leste Europeu.

Jewel - Parte 2

July 14th, 2008

Mais depoimentos 5

July 10th, 2008

O último será o primeiro! Pelo menos no caso do Luiz Alexandre assim será… Chegou, com um “pequeno” atraso, o belo relato sobre seu filme predileto:

MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA

Duas coisas me impressionaram nesse filme, uma é o fato de um faroeste americano conseguir ser tão sujo, tão cruel; não sabia na época que isso era possível, com homens levando tiros na cabeça, sangrando a cada bala, nem os italianos que eu tinha visto possuíam isso tão potencializado. E ao mesmo tempo que é sujo, ele é lindo, você tem momentos ali que são poéticos, embora uma poesia muito dura, melancólica. Existe um romântico dentro do coração daqueles homens que não foi extinguido, e isso surge mais fortemente naquele final. O filme acaba lidando com a perda em vários momentos, seja do amor do Pike, seja da perda da liberdade do personagem do Robert Ryan, que também perdeu seu lugar, o único lugar que ele realmente fazia parte, que era ao lado do Pike, que fugiu sem ele do bordel. Aliás, a perda do seu lugar naquela sociedade, naquele mundo, a perda da juventude, talvez até mesmo a perda de tempo, uma vida que seguia rumo ao grande nada, é o que une esses caras, né?

O que me leva a outra razão por gostar tanto desse filme. Quando aquele mexicano da gangue do Pike reencontra o amor dele. A moça está lá em sua frente, rindo, com uma expressão muito, sei lá, escrota, hehe, prepotente. O rapaz vai até ela, pergunta porque ela foi junto dos soldados, querendo tirar ela dali, onde ela era uma das vadias do general, e ela ri, diz na cara do sujeito que tá muito melhor sem ele, que nunca foi tão feliz, enfim, praticamente manda o cara pastar. Ele fica desolado e vai embora, mas a câmera em vez de acompanhá-lo se aproxima da face dela, e por um instante, o sorriso dela se quebra, ela derrama uma lágrima, demonstrando por um leve instante que aquilo era tudo mentira, que sofria, que aquilo que ela disse não passava de um teatrinho pra ele não fazer alguma besteira, pra desistir dela. Isso acontece por apenas um momento, mas foi uma das coisas mais bonitas e tristes que já vi num filme. E logo depois, ela vai pro colo do general, onde continua o teatrinho, rindo e olhando pra cara do infeliz do desperado. Ele então se enerva e grita “puta!” dando um tiro na cara da mulher. Isso completa o círculo. A idéia de que ela só estava tentando protegê-lo, que ela o amava tanto que foi capaz de fingir que tinha desistido dele pra que ele continuasse; mas ela morrer como uma rameira da pior espécie sempre me comoveu.

Luiz Alexandre (Mad Blog)

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July 9th, 2008

Já tinha dado por encerrado, no post anterior, a série de respostas à questão do filme predileto, quando chegaram por e-mail mais dois depoimentos saborosos. Também fui cobrado, pelo Rodrigo Pereira, a dar o meu (depoimento, que fique bem claro!). Confesso que, no meio de tantas feras que aqui expressaram suas opiniões, achei que a minha era desnecessária. Mas tentarei escrever algo… Antes, confiram as respostas de dois ilustres cidadões:

Provavelmente o filme que causou maior impacto em mim foi SANTA SANGRE, de Jodorowski. Estava naquela fase, saindo da adolescência, que achava que sabia tudo, tinha visto tudo, que não tinha mais nada para descobrir. Vi no escuro, sem saber nada sobre ele ou sobre seu diretor - consegui numa daquelas trocas que você não tem nada prá escolher da outra parte e acaba pegando o que acha bonito de nome (que porra será “Santa Sangre”? parece divertido)… e fiquei PASMO com o colorido, aquela alternância de climas, aquela doideira, aquela história que quebrava todas as regras que eu conhecia sobre estrutura de roteiro, aquele monte de pessoas esquisitas, anões, elefantes, palhaços… e ainda por cima era um barato. Junto com O MANÍACO DO OLHO BRANCO, de Donald Cammel, feito um pouco antes, é a mais original fita de serial killers da história do cinema. Trata-se de uma das mais potentes experiências que o cinema pode proporcionar.

Carlos Thomaz Albornoz (Olhar Elétrico)

TUBARÃO - acho que foi o primeiro filme que assisiti onde vi membros mutilados e muito sangue. Fez-me grudar no sofá e sentir realmente medo. Não lembro quantos anos tinha, mas quando fui dormir tive medo que um tubarão viesse me pegar na minha cama enquanto dormisse!!! No dia seguinte esvaziei meu aquário!!!

Ricardo Matsukawa (Bakemon)

Quando enviei a pergunta sobre o filme preferido a uma série de amigos(as), fui enfático na regra de escolher apenas um título. Mas é aquela história, exigir dos outros é fácil, agora se fizessem essa pergunta pra mim, eu não saberia responder. Ficaria numa dúvida mortal entre TRÊS HOMENS EM CONFLITO e MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA. Infelizmente não me lembro qual dos dois assisti primeiro, e ambos me marcaram muito. Faroeste foi o primeiro gênero que me interessou. Quando aprendi a ler, devorava velhas hq’s da saudosa Editora Vecchi que tinham em casa (Tex, Chet, Zagor, Ken Parker). Com menos de nove anos já tinha assistido uma penca de westerns, inclusive RASTROS DE ÓDIO, que é outro que adoro. Depois, quando comecei a treinar capoeira aos 10 anos, me apaixonei pelo cinema de artes marciais. Não vou mentir, meu primeiro ídolo foi o Van Damme! Só depois conheci Bruce Lee e Jackie Chan e descobri que o Van Damme era fichinha perto deles. Dentro do gênero não me restam dúvidas: DRUNKEN MASTER 2 é o meu preferido. Mais tarde, no início da adolescência, descobri o horror. Fiquei vidrado pelo gore e pelo extremo depois de assistir uma sessão dupla com FOME ANIMAL e O VINGADOR TÓXICO. Posteriormente conheci Romero e os italianos Bava, Fulci e Argento (a trindade sagrada). Daí pirei de vez. Hoje em dia sou bem eclético e os cineastas autorais são os que mais me interessam, independente do gênero. Mas voltando a pergunta, já que é pra escolher um só, e já que estou nessa dúvida danada entre Leone e Peckinpah, vou com um outro título que também ajudou a pavimentar em definitivo minha desvairada cinefilia: FERVURA MÁXIMA, de John Woo. Lembro-me como se fosse hoje de minha ida à locadora para alugar aquele policial chinês estrelado por um tal de Chow Yun Fat. Talvez tenha sido a primeira vez que notei a parte técnica do cinema e o que é uma direção, afinal, quando se é leigo (e eu ainda era, totalmente), pensamos que o ápice de um filme é a a história e os atores, o que é simplesmente ridículo de se imaginar. A sequência em que Tony Leung mata o colega policial por acidente, e o duelo entre Yun Fat e Philip Kwok em meio aos enfermos no hospital, nunca mais saíram da minha mente (entre tantas outras cenas memoráveis e grandiosas de tiroteios tão bem coreografados quanto as danças de CANTANDO NA CHUVA). Fiquei com muita vontade de estudar cinema depois de ver esse filme. Pena que depois comecei a trabalhar e abandonei os estudos, não podendo levar esse plano adiante.

Heráclito Maia

Mais depoimentos 3

July 8th, 2008

Encerrando a série “Qual o seu filme preferido?”, mais dois depoimentos:

Dentro do meu estilo favorito de cinema (Artes Marciais), um dos filmes que mais me marcou foi MYSTERY OF CHESS BOXING. Até então eu tinha uma visão muito fechada a respeito do gênero, me prendia muito ao clichê Bruce Lee-Jackie Chan (Jet Li nunca foi minha praia) e graças a esse filme eu consegui me desprender da influência dessa “dupla dinâmica”. Não que hoje eu os odeie, muito pelo contrário, mas eu aprendi a ver além. Descobri Li Yi Min, umas das figuras mais simpáticas dos filmes de kung fu. Descobri Jack Long e seus movimentos perfeitos. Descobri Ghost Face Killer, o melhor vilão de cabelos brancos de todos os tempos. A partir daí eu descobri muitos outros também, essa foi a minha “iniciação” propriamente dita no maravilhoso mundo da Velha Escola do Kung Fu e seus artistas supremos.

Aline S.F. (Hong Kong Old School)

HELLRAISER - RENASCIDO DO INFERNO: Me lembro quando vi pela primeira vez no vídeo cassete, aquelas correntes vindas do inferno e rasgando o cara todo, principalmente no rosto, o Pinhead sendo talvez o único homem vivo que pode usar uma saia e ninguém, absolutamente ninguém, vai zoar ele… a questão da luxúria como pecado e o sadomasoquismo como punição infernal… Lindo e inesquecível!

Jonas André Costa

Mais depoimentos 2

July 5th, 2008

Acabam de chegar mais duas respostas a questão “Qual o seu filme preferido?”:

SEI DONNE PER L’ASSASSINO (aka Blood and Black Lace), por ter incluído o termo “giallo” em meu vocabulário e ter me apresentado a um cinema com uso de cores e atmosfera inigualáveis, muitas vezes feito com orçamentos e prazos tão absurdos quanto seus roteiros; e por ter aberto meus olhos para o cinema de gênero italiano como um todo.
Rogério Ferraz (A Sala Proibida)

CANTANDO NA CHUVA me anestesiou, porque se mostrou muito maior do que a reprisadíssima seqüência de Gene Kelly botando o título do filme em prática. Porque tinha Donald O’Connor cantando a música-tema do programa do Bozo. Porque tinha as pernas de Cyd Charisse. Porque pela primeira vez percebi que o cinema podia falar de cinema (e descobri o que depois aprenderia tratar-se de “metalinguagem”). Porque Gene Kelly e Donald O’Connor juntos me lembravam os cômicos pioneiros que eu tanto amava (Laurel, Hardy, Keaton, Abbott, Costello e os “doutores Howard, Fine e Howard”). Só que eram coloridos, cantavam e dançavam. Sem falar na sequência em que Gene Kelly é escalado como dublê numa fita de caubói. Precisa mais? Em FOOTLOOSE, FLASHDANCE, DIRTY DANCING e atrocidades afins, qualquer um dança. Errou um passo? Corta, muda o ângulo, emenda e vamos em frente. Nos grandes musicais da Metro, com a câmera estática, não havia tolerância ao erro. Cada passo errado significava recomeçar toda a coreografia, desde o começo, com dezenas de bailarinos envolvidos. Daí porque as coreografias de CANTANDO NA CHUVA me deixam tão tenso quanto um duelo num western de Leone (ou melhor, quanto o tempo que antecede os duelos num western de Leone). Eu, que dançava mal até nos bailinhos adolescentes, senti vontade de sair sapateando pelas ruas da cidade. Não o fiz quando vi o filme pela primeira vez, mas cada revisão me traz de volta a mesma vontade. Cinema, afinal, é isso. Precisa tirá-lo do eixo. Preciso suspender a realidade ao seu redor. O musical de Stanley Donen e Gene Kelly me fez perceber isso. E me ganhou para sempre. Um dia ainda hei de sapatear na chuva, só eu e meu guarda-chuva.
Rodrigo Pereira